INVASOR ABSTRACTO #7 | O tom do pomar
OSSO colectivo + Júlio Pomar
Atelier-Museu Júlio Pomar
EXPOSIÇÃO-INSTALAÇÃO
: 30 de Janeiro a 26 de Maio 2024
CONCERT0: 10 Maio às 21h
O tom do pomar [INVASOR ABSTRACTO #7], um projeto expositivo realizado em parceria com o OSSO colectivo, tem como elemento central um conjunto de recolhas sonoras do artista Júlio Pomar a trabalhar no seu ateliê. Pinturas como Gadanheiro (1945), Estudo para o Ciclo do Arroz II (1953) ou Lota (1958), expostas pela primeira vez no AMJP, fazem parte da instalação do OSSO colectivo.
Nesta ocupação do Atelier-Museu Júlio Pomar, o OSSO colectivo propõe estabelecer um conjunto de vizinhanças entre uma vasta seleção de obras de Júlio Pomar e as suas observações sonoras e visuais do território social, natural, simbólico e material da aldeia rural de São Gregório, Caldas da Rainha, onde este coletivo tem a sua morada.
Esta sétima iteração do Invasor Abstracto – projeto do OSSO colectivo focado no desenho de programas de instalações, performances e concertos, que tem como mote «uma viagem imaginada entre o seu território criativo e o território de acolhimento» – conta com a participação de Rita Thomaz, Ricardo Jacinto e Nuno Morão e traz até ao AMJP o seu centro criativo (a aldeia de São Gregório, nas Caldas da Rainha), gerando um território imaginário que é também um espaço de criação, reflexão e apresentação pública, valorizando aquilo que foi uma possibilidade do 25 de Abril: o trabalho colaborativo, coletivo.
A instalação-exposição agora apresentada, com o título «O tom do pomar», teve como ponto de partida uma recolha sonora do artista Júlio Pomar a trabalhar no seu ateliê, realizada por Ricardo Jacinto quando, em 2012/13, compôs a banda sonora para o filme de Tiago Pereira “Só o teatro é real”.
Num processo de contiguidades poéticas (formais e simbólicas) entre o território rural de São Gregório, as dinâmicas e idiossincrasias criativas do OSSO colectivo, a força plástica e política das obras selecionadas de Júlio Pomar, a arquitetura do AMJP e o contexto celebratório dos cinquenta anos do 25 de Abril, o Invasor Abstracto faz-se, nesta iteração, um «corpo atmosférico» povoado de encontros entre estratégias individuais e coletivas. Numa instalação que privilegia a instabilidade espacial e simbólica, podemos encontrar corpos em conflito, em jogo, em trabalho, envolvidos no prazer ou na ação política, lado a lado com a força do silêncio, da morte, da contemplação paisagística, do labor rural ou do solipsismo da criação artística.
Este foi o mote para «desenhar» a instalação que agora ocupa o Atelier-Museu: linha, cor, som, arquitetura, música, texto e performatividade são, ao mesmo tempo e sem hierarquias, «a matéria plástica» dos artistas do OSSO colectivo, deixando que esta ocupação viva das especificidades que cada um traz para esta «invasão abstracta».
Do trabalho de recolha e mapeamento cromático que Rita Thomaz tem vindo a desenvolver em torno da flora da aldeia de São Gregório, às observações da paisagem sonora da «apanha da fruta» que Nuno Morão realizou para este projeto, até às peças (escultóricas e musicais) que Ricardo Jacinto tem vindo a realizar a partir dos traços arquitetónicos e paisagísticos daquele território, esta nova intervenção do Invasor Abstracto é, até à data, o mais intrincado labirinto apresentado no âmbito deste projeto.
Ainda que do pomar se colha a fruta, este é um pomar transitório, coletivo, colorido, habitado pelo diálogo e o confronto. Pomar de múltiplas matérias, experiências e impressões, intelectuais e sensíveis. Pomar de fruta ‘feia’ mas também território de saberes transdisciplinares, coletivo, feito e produzido – plantado, enxertado, nutrido, regado, podado, pulverizado, colhido – por diversas mãos.
Na instalação do OSSO colectivo, estão também expostas dezenas de obras de Júlio Pomar, do acervo do AMJP e de várias outras coleções, públicas e privadas. Gadanheiro (1945), do MNAC, pode, pela primeira vez, ser visto no AMJP. Destacam-se, entre as obras de Pomar provenientes de coleções privadas, as pinturas Estudo para o Ciclo do Arroz II (1953) e Lota (1958), que marca uma viragem importante no trabalho do artista.

A exposição/instalação do OSSO colectivo dá seguimento a um programa do Atelier-Museu Júlio Pomar que, todos os anos, procura cruzar o trabalho de Pomar com o de outros artistas, de modo a estabelecer novas relações entre a obra do pintor e a contemporaneidade.
A OSSO é uma estrutura coletiva que desde 2012 tem reunido artistas e investigadores de diferentes áreas (música e artes sonoras, artes plásticas, fotografia, dança, performance, design, arquitetura e cinema) e que tem desenvolvido a sua atividade em torno do apoio à criação, investigação, programação e formação, em colaboração com outros artistas e coletivos. Os seus projetos procuram explorar práticas artísticas em articulação com um pensamento crítico, estético e político que contempla a especificidade dos contextos e territórios nos quais se inserem.
CURADORIA OSSO colectivo MONTAGEM T.ART, Pedro Alves, Xavier Ovídio, Paulo Cunha e Samir Bichara DESIGN Joana Machado
Fotografias Slider: 1,2,6,9: José Frade | EGEAC // Fotografias restantes : João Quirino






